Seagri mapeia Ibicoara para impulsionar cadeia da mangaba

A Secretaria da Agricultura (Seagri), em parceria com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem) e apoio da Embrapa, iniciou na terça-feira (12) uma expedição em Ibicoara, Chapada Diamantina. O objetivo é mapear os campos nativos de mangaba e estruturar a cadeia produtiva da fruta, transformando seu potencial extrativista em geração de renda para produtores locais.

O Potencial da Mangaba na Chapada Diamantina

A mangaba (Hancornia speciosa) possui uma relevância econômica e cultural expressiva na Chapada Diamantina. A Bahia é um dos estados brasileiros com maior ocorrência natural de mangabeiras, especialmente em regiões litorâneas e em áreas de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga. Nesses ecossistemas, o extrativismo da fruta tem sido, historicamente, o sustento de milhares de famílias. Entretanto, a produção real da mangaba frequentemente é subestimada, em grande parte devido à informalidade e à dificuldade de mensuração em vastas áreas de mata nativa.

O pesquisador Josué Francisco Junior, da Embrapa Pernambuco, destaca a importância da mangaba na região. Ele ressalta que a demanda pelo resgate e valorização da espécie parte dos próprios produtores e extrativistas locais, que reconhecem o valor da fruta não apenas como alimento, mas como parte integrante de sua cultura e economia. Extrativistas e agricultores do município de Ibicoara já demonstraram grande interesse em explorar economicamente a mangaba, que é nativa da Chapada e tem uma presença significativa nos campos locais, além de uma forte identidade cultural entre as comunidades.

Expedição Seagri: Rumo à Estruturação da Cadeia Produtiva

A expedição conjunta, que conta com a participação da Seagri, Flem, Embrapa e da Secretaria Municipal de Agricultura de Ibicoara, representa um passo fundamental para formalizar e impulsionar o extrativismo da mangaba. O mapeamento dos campos nativos é a primeira etapa crucial para entender a distribuição e a abundância da fruta. Este conhecimento permitirá um planejamento mais eficaz e a implementação de práticas de manejo sustentável.

Paulo Sergio Ramos, gerente-adjunto da Flem, explica que o objetivo central do mapeamento é assegurar que os produtores rurais possam explorar a fruta de maneira sustentável e economicamente viável nos próximos anos. Isso envolve não apenas a coleta, mas também o desenvolvimento de toda a cadeia, desde a colheita até a comercialização. A iniciativa busca criar um ambiente onde o potencial natural da mangaba seja convertido em benefícios tangíveis e duradouros para a população local.

Desafios e Soluções para a Mangaba de Ibicoara

Um dos principais desafios enfrentados pelos produtores de mangaba é a perecibilidade da fruta. O diretor de políticas agrícolas de Ibicoara, Neto Rocha, alerta que a mangaba não se conserva bem para transporte de longa distância in natura. Essa característica limita o alcance do mercado e a capacidade dos produtores de obterem melhores preços. Para superar essa barreira, o processamento agroindustrial surge como uma alternativa viável e estratégica. “O processamento é uma alternativa para garantir maior durabilidade do fruto e agregar valor à produção”, afirma Neto Rocha. Isso pode incluir a produção de polpas, geleias, sucos ou outros produtos que prolonguem a vida útil da fruta e abram novos mercados.

O empreendedor rural Paulo Gonzaga complementa essa visão, enfatizando a necessidade de organização e infraestrutura. Segundo ele, a abundância da fruta na região é um excelente ponto de partida, mas o verdadeiro desafio reside em estruturar o setor. “A questão é organizar a comunidade e trazer infraestrutura e recursos para as coisas avançarem”, aponta Gonzaga. Essa organização pode envolver a formação de cooperativas, associações de produtores, acesso a linhas de crédito e a tecnologias de processamento, além da construção de centros de beneficiamento. A combinação desses esforços visa transformar a mangaba de um recurso extrativista informal em um negócio estruturado e próspero.

Pontos-chave da estruturação da cadeia da mangaba:
– Mapeamento de campos nativos: Essencial para identificar áreas de maior ocorrência e potencial de colheita sustentável.
– Apoio técnico e institucional: A colaboração entre Seagri, Flem, Embrapa e Secretaria Municipal de Agricultura é crucial para oferecer suporte técnico e administrativo.
– Processamento agroindustrial: Desenvolvimento de métodos para agregar valor ao fruto e aumentar sua durabilidade, como a produção de polpas e derivados.
– Geração de renda e sustentabilidade: Foco na economia local e no uso consciente dos recursos naturais, garantindo um futuro para as comunidades e para a espécie.

Perspectivas Futuras e o Impacto Social da Iniciativa

A estruturação da cadeia produtiva da mangaba em Ibicoara promete um impacto significativo no desenvolvimento socioeconômico da Chapada Diamantina. Ao formalizar e agregar valor à produção, a iniciativa visa aumentar a renda dos produtores e extrativistas, melhorando suas condições de vida e promovendo a inclusão produtiva. Além disso, a abordagem sustentável do projeto busca equilibrar a exploração econômica com a conservação ambiental, garantindo a preservação dos ecossistemas onde a mangabeira prospera.

A ação da Seagri e seus parceiros é um exemplo de como a pesquisa, a gestão pública e o engajamento comunitário podem convergir para impulsionar o desenvolvimento regional. A valorização de uma espécie nativa como a mangaba, com forte identidade cultural, não apenas fortalece a economia local, mas também preserva conhecimentos tradicionais e a biodiversidade. A expectativa é que, nos próximos anos, a mangaba de Ibicoara se torne um modelo de sucesso de extrativismo sustentável e geração de valor na Bahia.

Perguntas Frequentes

O que é a expedição da Seagri em Ibicoara?
A expedição da Secretaria da Agricultura (Seagri), em parceria com Flem e Embrapa, é uma iniciativa que começou em 12 de março em Ibicoara, Chapada Diamantina. Seu objetivo principal é mapear os campos nativos de mangaba para estruturar a cadeia produtiva da fruta na região.

Qual o principal objetivo de estruturar a cadeia produtiva da mangaba?
O objetivo central é transformar o potencial extrativista da mangaba em geração de renda para os produtores rurais de Ibicoara. A estruturação visa permitir uma exploração econômica sustentável, formalizando a produção e agregando valor à fruta.

Por que o processamento agroindustrial é importante para a mangaba?
O processamento agroindustrial é crucial porque a mangaba não se conserva bem para transporte de longa distância in natura. Essa alternativa garante maior durabilidade do fruto, permite o alcance de novos mercados e agrega valor à produção, impulsionando a economia local.


14 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Tiago Dantas/Seagri|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Bruno Sampaio

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