Representantes do setor produtivo, gestores municipais e instituições parceiras se reuniram recentemente no Fórum de Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), em Salvador. Os encontros, que se estenderam até esta quarta-feira (27), visaram discutir e definir estratégias de fortalecimento das cadeias de cacau, sisal, citros e dendê na Bahia, buscando impulsionar a produção regional.
Desafios e Futuro da Sisalicultura Baiana
A segunda reunião ordinária das Câmaras Setoriais da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), sediada no Centro de Convenções Salvador (CCS), promoveu debates profundos sobre as cadeias produtivas do estado. Dentre elas, a do sisal demonstrou uma preocupação significativa com a redução da área plantada e da mão de obra empregada no cultivo e processamento da fibra. Esse cenário impacta diretamente a economia de regiões semiáridas, onde o sisal é uma fonte crucial de renda.
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Para reverter essa tendência, foram debatidas propostas essenciais. Elas buscam revitalizar a sisalicultura, uma atividade agrícola e industrial de grande relevância para o Nordeste brasileiro. A participação de prefeitos foi destacada pelo diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, como um diferencial para a identificação de soluções localizadas e eficazes.
Entre as propostas para o setor do sisal, destacam-se:
– Ampliação da integração entre órgãos públicos, visando uma atuação coordenada no apoio aos produtores.
– Adoção de novas tecnologias, desde o plantio até o processamento, para otimizar a produção e reduzir custos.
– Diversificação das atividades agrícolas no semiárido, promovendo maior resiliência econômica aos produtores.
O presidente da Câmara Setorial do Sisal, Rafael Mota, anunciou a realização da III Conferência Setorial do Sisal. O evento ocorrerá nos dias 3 e 4 de julho, em Nova Palmares, distrito de Conceição do Coité. A conferência abordará o tema “Inovação, Sustentabilidade e Desenvolvimento no Semiárido”, reunindo produtores, gestores públicos e instituições ligadas ao setor para debater temas como sisalicultura, economia solidária, agricultura familiar e reforma agrária.
Ações Estratégicas para Cacau, Dendê e Citros
As discussões no Feagri abrangeram outras cadeias produtivas vitais para a Bahia, cada uma com seus desafios específicos e propostas de fortalecimento. A cacauicultura, por exemplo, focou na necessidade de transformar em lei a instrução normativa que suspendeu a aquisição de cacau oriundo de países como a Costa do Marfim. Essa medida é vista como fundamental para reforçar a defesa sanitária e proteger a produção nacional, garantindo a qualidade e a competitividade do cacau baiano. Outro ponto crítico debatido foi o deságio aplicado ao produto, que continua a impactar negativamente o preço pago aos produtores, comprometendo sua rentabilidade.
No setor do dendê, as discussões foram conduzidas pelo presidente da Câmara Setorial, Eraldo Santos. Os participantes concentraram-se na produção de mudas para renovação e ampliação das plantações existentes. A adoção de novas tecnologias para colheita e processamento também foi um tema central. A modernização da cadeia dendezeira é considerada um fator estratégico não apenas para aumentar a eficiência, mas também para atrair jovens para a atividade, renovando a força de trabalho no campo.
A citricultura baiana, por sua vez, enfrenta uma crise marcada pela queda nos preços e dificuldades de comercialização da laranja. As discussões tiveram como foco medidas emergenciais para mitigar esses impactos. Gabriel Soares, secretário de Agropecuária de Rio Real e presidente da Câmara Setorial da Citricultura, destacou a urgência de ações para os pequenos produtores.
Entre as propostas apresentadas para a citricultura, incluem-se:
– Mobilização de órgãos estaduais para ampliar o uso da laranja na merenda escolar, criando um mercado consumidor interno robusto.
– Articulação junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para aquisição de parte da produção, oferecendo suporte direto aos produtores.
Segundo Gabriel Soares, a preocupação principal é com os pequenos produtores, que já sofrem os impactos desse cenário. Ele ressaltou a busca por alternativas que minimizem as dificuldades, as quais devem persistir ao longo de 2025.
Engajamento dos Municípios e Próximos Passos
A participação ativa de prefeitos e gestores municipais foi um dos grandes destaques das reuniões, conforme Assis Pinheiro Filho. A presença desses líderes permitiu que eles acompanhassem de perto os desafios apresentados por cada setor. Além disso, os prefeitos puderam contribuir com sugestões e propostas valiosas, que refletem a realidade local e as necessidades de suas comunidades.
Os encontros, realizados tanto presencialmente quanto de forma on-line, facilitaram a troca de experiências entre representantes do setor produtivo, gestores e instituições parceiras. Essa integração é fundamental para a construção de políticas públicas mais eficazes e para o desenvolvimento sustentável do agronegócio baiano. O fortalecimento das cadeias produtivas de cacau, sisal, dendê e citros passa necessariamente por um esforço conjunto e contínuo, que abranja desde a inovação tecnológica até o suporte direto aos produtores, especialmente os pequenos. O Feagri reafirmou o compromisso do estado da Bahia em apoiar seus setores agrícolas estratégicos, visando maior prosperidade e segurança para o campo.
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Perguntas Frequentes
O que foram as reuniões das Câmaras Setoriais da Seagri?
As reuniões foram encontros presenciais e on-line, promovidos pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) da Bahia. O objetivo principal foi debater desafios e estratégias para fortalecer cadeias produtivas essenciais do estado, como cacau, sisal, dendê e citros.
Quais cadeias produtivas foram debatidas no Feagri?
Durante o Fórum de Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), as discussões focaram no fortalecimento das cadeias produtivas do cacau, sisal, dendê e citros. Cada setor apresentou suas particularidades, com propostas específicas para seu desenvolvimento.
Que medidas emergenciais foram propostas para a citricultura baiana?
Para enfrentar a crise na citricultura, foram propostas medidas como a mobilização de órgãos estaduais para ampliar o uso da laranja na merenda escolar. Além disso, buscou-se a articulação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para aquisição de parte da produção.
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