Bahia

Produção de biscoitos no Oeste da Bahia transforma vidas e fortalece economia

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 04/07/2026 às 07:45
André Frutuôso/Ascom CAR
Leitura: 8 Min
Última Atualização: 04 de julho de 2026, às 07:45

Investimentos do Governo da Bahia, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), transformaram a Associação Caliandra Artesãos do Cerrado, no Assentamento Rio de Ondas, em Luís Eduardo Magalhães. A iniciativa impulsionou a produção de biscoitos artesanais, gerando renda e novas oportunidades para 28 famílias de agricultores na região Oeste do estado.

A Associação Caliandra Artesãos do Cerrado, sediada no Assentamento Rio de Ondas, município de Luís Eduardo Magalhães (LEM), no Oeste da Bahia, experimenta uma notável transformação. Nos últimos anos, aportes do Governo do Estado da Bahia, por intermédio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), ligada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), foram cruciais. Eles viabilizaram melhorias significativas em infraestrutura, aquisição de equipamentos e programas de capacitação.

Essas ações catalisaram a produção de biscoitos artesanais, elevando substancialmente a geração de renda das famílias associadas. Além disso, abriram-se novas e promissoras perspectivas de mercado para os produtos da agricultura familiar local.

A jornada da associação começou há cerca de 18 anos, focada na criação de biojoias. Essas peças eram confeccionadas a partir de sementes, cascas e outros elementos naturais extraídos do rico bioma do Cerrado. Uma nova fase teve início em 2017, quando a entidade passou a dedicar-se à fabricação de biscoitos. O objetivo inicial era atender à demanda por alimentos para a merenda escolar na rede pública.

Elisandro Augusto Zamarchi, presidente da Associação Caliandra, enfatiza a magnitude dessas intervenções. “Os investimentos representaram uma mudança muito grande. Conseguimos aprimorar nossa produção, estruturar as cozinhas e ampliar significativamente a capacidade de trabalho”, relata ele.

Zamarchi complementa que o suporte é contínuo. “Hoje, continuamos recebendo apoio para aperfeiçoar ainda mais os espaços produtivos e garantir uma qualidade ainda maior dos nossos produtos”, afirma o presidente.

A estrutura atual da associação é moderna e bem equipada. Inclui um forno industrial, batedeira profissional, liquidificador de alta capacidade, fogão de grande porte e mesas adequadas para o processo produtivo. A Caliandra congrega 28 associados, que residem nas quatro vilas do assentamento. Mais de 10 pessoas estão diretamente envolvidas na fabricação diária dos biscoitos, enquanto outros trabalhadores cuidam da logística e da entrega dos produtos.

A produção de biscoitos da associação abastece importantes programas de alimentação escolar. Entre eles, destacam-se os dos municípios de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, além da rede estadual de ensino. Os produtos também são comercializados no comércio local. A capacidade produtiva impressiona: a associação alcança uma média de uma tonelada de biscoitos por mês. Este volume, segundo Zamarchi, está em constante crescimento, demonstrando o sucesso e a expansão da iniciativa.

Impacto social e transformação de vidas

A evolução da Associação Caliandra reflete diretamente na vida dos produtores. Jerusa Santos, agricultora de 51 anos, é um exemplo. Vinculada à Caliandra há cerca de 15 anos e na produção de biscoitos há nove anos, ela recorda os desafios preexistentes.

“No começo, trabalhávamos na casa de Dona Rosa, a fundadora da associação. Tudo era muito mais difícil: as estradas, o transporte, a comercialização e a própria estrutura de trabalho”, detalha Jerusa. A realidade atual, no entanto, é de grande melhoria. “Hoje, melhorou 100%. Temos mais condições, mais facilidade e uma renda complementar muito importante para nossas famílias”, celebra a agricultora.

Jerusa destaca o impacto direto na qualidade de vida de sua família. “Com essa renda, consegui reformar minha casa, colocar piso e fazer melhorias que antes eram impossíveis. A produção de biscoitos tornou-se uma parte essencial da minha renda e ajuda muito na manutenção da família”, revela.

A associação também fomenta oportunidades para os jovens da comunidade. Mayane Barbosa, de 25 anos, que se juntou à equipe de produção há seis meses, é um testemunho disso.

“Essa oportunidade foi maravilhosa. Aqui na zona rural, nem sempre existem opções de trabalho. Além de trabalhar perto de casa, consigo conciliar as atividades da associação com os afazeres da família. Estou muito feliz e penso em continuar crescendo profissionalmente”, compartilha Mayane.

O modelo de distribuição da renda gerada é sustentável. Após a aquisição das matérias-primas e a cobertura dos custos de manutenção das atividades, o lucro é dividido entre as produtoras. Isso assegura que os recursos permaneçam na comunidade, fortalecendo a economia local e incentivando a permanência das famílias no campo.

Expansão de mercados e aprimoramento contínuo

Valéria Lima, agente de negócios da associação, atribui o crescimento substancial da entidade à ampliação da estrutura produtiva. Ela ressalta que a finalização da construção da cozinha comunitária em 2020 marcou um divisor de águas.

“Com a inauguração da cozinha comunitária, conseguimos ampliar nossa capacidade produtiva e acessar novos mercados por meio dos programas de alimentação escolar. Hoje, estamos focados em fortalecer a marca, aprimorar a apresentação dos produtos e expandir as oportunidades de comercialização”, explica Valéria.

Para alcançar esses novos patamares, diversas iniciativas estão em andamento, focadas na profissionalização e expansão. Elas incluem:

– Elaboração de tabelas nutricionais detalhadas, fornecendo informações claras ao consumidor.
– Adequação de embalagens para atender aos padrões do varejo e atrair o olhar nas prateleiras.
– Desenvolvimento de rótulos atraentes e informativos.
– Registro da marca junto aos órgãos competentes, garantindo proteção e identidade.
– Obtenção de certificações essenciais, cruciais para a venda em estabelecimentos comerciais e supermercados, como as emitidas por órgãos de fiscalização sanitária.

“Nossa meta é levar os biscoitos para as prateleiras com garantia de qualidade, segurança alimentar e total rastreabilidade. Também estamos inovando ao desenvolver novas receitas, algumas utilizando ingredientes nativos do Cerrado, agregando valor à produção local e destacando a riqueza da nossa biodiversidade”, conclui Valéria.

Agricultura familiar: pilar do desenvolvimento rural

A experiência da Associação Caliandra reflete a vitalidade da agricultura familiar no Brasil, um segmento que desempenha papel fundamental na segurança alimentar e no desenvolvimento socioeconômico do país. De acordo com dados do Censo Agropecuário, a agricultura familiar é responsável por uma parcela significativa da produção de alimentos básicos, empregando milhões de pessoas e gerando renda em áreas rurais. No contexto baiano, o apoio a essas iniciativas é estratégico para diminuir desigualdades e fomentar a permanência do homem no campo, oferecendo infraestrutura e conhecimento técnico.

Programas governamentais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são cruciais para o sucesso de associações como a Caliandra. O PNAE, instituído pela Lei nº 11.947/2009, determina que no mínimo 30% do valor repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para estados e municípios na aquisição de alimentos para a merenda escolar deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar. Essa medida não apenas garante alimentos frescos e de qualidade para os estudantes, mas também fomenta a economia local, criando um mercado estável para pequenos produtores.

A busca por certificações e registro de marca é um passo estratégico para a Associação Caliandra. A obtenção de selos de qualidade e a conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são indispensáveis para que os produtos possam ser comercializados em grandes redes varejistas. O registro de marca, por sua vez, protege a identidade visual e o nome dos biscoitos, agregando valor e reconhecimento no mercado. Essas ações demonstram a profissionalização e a ambição da associação em expandir sua atuação para além dos programas de alimentação escolar, visando as prateleiras dos supermercados.

A produção de alimentos com ingredientes nativos do Cerrado, como mencionado por Valéria Lima, não só agrega valor aos biscoitos, mas também promove a sustentabilidade e a valorização da biodiversidade local. O Cerrado, um dos biomas mais ricos do mundo, oferece uma gama de frutos, sementes e plantas com potencial nutritivo e gastronômico. A incorporação desses elementos nas receitas da Caliandra pode diferenciar seus produtos no mercado, apelando para consumidores que buscam itens regionais e com valor agregado cultural e ambiental.

Perguntas Frequentes

Qual o impacto dos investimentos na Associação Caliandra?

Os investimentos do Governo da Bahia impulsionaram significativamente a produção de biscoitos artesanais na Associação Caliandra, localizada em Luís Eduardo Magalhães. Isso resultou na ampliação da geração de renda para 28 famílias associadas, na melhoria da infraestrutura e na abertura de novas oportunidades de mercado para os produtos da agricultura familiar.

Como a produção de biscoitos beneficia os jovens e famílias da região?

A produção de biscoitos gera renda complementar e direta para as famílias, permitindo melhorias na qualidade de vida, como reformas em residências. Além disso, cria oportunidades de trabalho para jovens da comunidade rural, como Mayane Barbosa, oferecendo perspectivas de crescimento profissional e incentivando a permanência no campo.

O que é a Associação Caliandra e onde ela está localizada?

A Associação Caliandra Artesãos do Cerrado é uma entidade de agricultores familiares que iniciou suas atividades com biojoias e, a partir de 2017, focou na produção de biscoitos. Ela está localizada no Assentamento Rio de Ondas, no município de Luís Eduardo Magalhães (LEM), no Oeste da Bahia.

Quais são os próximos passos da Associação Caliandra para expandir o mercado?

A associação está trabalhando na elaboração de tabelas nutricionais, adequação de embalagens, desenvolvimento de rótulos, registro de marca e obtenção de certificações. O objetivo é levar os biscoitos para as prateleiras de estabelecimentos comerciais, além de desenvolver novas receitas com ingredientes do Cerrado para agregar valor.

O que é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e qual sua importância para a associação?

O PNAE é um programa governamental que garante alimentação escolar a estudantes da rede pública. Para a Associação Caliandra, ele é vital porque a Lei nº 11.947/2009 exige que 30% dos recursos do FNDE sejam investidos na compra de produtos da agricultura familiar, criando um mercado estável e garantido para os biscoitos da associação.


4 de julho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: André Frutuôso/Ascom CAR|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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