Totem de inteligência artificial transforma criação literária na

Um totem interativo com inteligência artificial se tornou atração principal no estande do Governo da Bahia, na Bienal do Livro 2026, em Salvador. A ferramenta da Secretaria da Educação (SEC) permite que estudantes criem histórias em minutos, fomentando a criatividade e o debate sobre tecnologia na literatura.

A inovação, batizada de “Crie a sua história em um minuto”, tem capturado a atenção de jovens visitantes, consolidando-se como um dos pontos mais procurados do evento. Com a utilização de inteligência artificial (IA) para auxiliar no processo criativo, o recurso da SEC reforça a presença ativa da rede estadual na Bienal. A iniciativa desperta o interesse de uma nova geração que busca maneiras modernas de se expressar e desenvolver narrativas.

Estudantes como Elen Cristina e Monique Bastos, do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa, demonstraram entusiasmo com o potencial da ferramenta. Monique Bastos ressaltou que a IA “representa uma tecnologia avançada com grande capacidade de auxílio, desde que utilizada de forma adequada. No totem, ela aparece como recurso criativo, que amplia possibilidades”. Sua perspectiva destaca o papel da tecnologia como um facilitador, e não um substituto, na jornada criativa.

Elen Cristina complementou a discussão, enfatizando a relevância do uso consciente da tecnologia no contexto da produção artística. “A inteligência artificial não substitui a capacidade humana de criar e sentir. Nosso trabalho tem emoção e vivência, algo que a IA não alcança. Por isso, é fundamental utilizá-la como apoio, sem perder a essência da criação”, explicou a estudante. Ambas as falas convergem para a ideia de que a IA deve servir como um suporte valioso, mas a originalidade e profundidade humana permanecem insubstituíveis no processo artístico.

Tecnologia e Criatividade na Educação

A integração da inteligência artificial no ambiente educacional tem sido um tema de crescente debate global. Ferramentas como o totem interativo na Bienal da Bahia exemplificam o potencial da IA para engajar estudantes e personalizar experiências de aprendizado. Ao oferecer um meio rápido e acessível para a criação de textos, a tecnologia pode democratizar o acesso à escrita e estimular a experimentação literária, superando barreiras iniciais que muitos jovens enfrentam ao iniciar um projeto criativo.

A Bienal do Livro da Bahia, um dos maiores eventos literários do Nordeste, acontece geralmente a cada dois anos e desempenha um papel crucial na promoção da leitura e da cultura no estado. A presença de estandes governamentais com propostas inovadoras, como o totem de IA, sublinha o compromisso público com a modernização da educação e o incentivo à participação estudantil. O evento serve como um fórum para a troca de ideias, o contato com autores e a exploração de novas tendências no universo literário e tecnológico.

As iniciativas da Secretaria da Educação no estande do Governo do Estado transcendem a simples exposição de tecnologias. Elas visam integrar o ambiente cultural da Bienal com a prática pedagógica, mostrando como a escola pública pode ser um vetor de inovação. Ao trazer a IA para este contexto, a SEC não apenas atrai a atenção para o estande, mas também inicia um diálogo sobre o futuro da educação e da criação artística em um mundo cada vez mais digitalizado.

Vozes Estudantis e Temas Sociais

Além da interação com o totem, as estudantes Elen Cristina e Monique Bastos também tiveram a oportunidade de apresentar um trabalho autoral. No Espaço Deixa Eu Falar, dentro do mesmo estande, elas exibiram “Entre o grito e o silêncio”, uma produção inspirada na obra seminal “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. O projeto reflete o cotidiano de uma catadora de papel e sua árdua batalha contra a fome, a marginalização e a pobreza extrema para sustentar os filhos.

Carolina Maria de Jesus, uma das mais importantes escritoras brasileiras, documentou a realidade das favelas de São Paulo em “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Sua obra é um testemunho pungente da luta pela sobrevivência e da desigualdade social, e continua a inspirar novas gerações de artistas e ativistas a abordar temas de justiça social. O trabalho das estudantes baianas demonstra a capacidade da literatura de transcender o tempo e dialogar com questões contemporâneas.

A produção de Elen e Monique integra o Tempo de Arte Literária (TAL), um projeto da SEC que reúne e valoriza as criações estudantis com foco em temas sociais relevantes. “Nosso projeto visa mostrar que as questões de cor e a desigualdade social devem ser combatidas. Em resumo, o poema busca abrir mentes”, destacaram as jovens. O TAL se estabelece como uma plataforma essencial para que alunos desenvolvam pensamento crítico e usem a arte como instrumento de conscientização e transformação social.

A participação ativa dos alunos na Bienal é observada de perto por educadores e gestores. Williams Panfile, diretor do Núcleo Territorial de Educação do Vale do Jiquiriçá, enfatizou a importância dessas vivências. Segundo ele, “a presença dos estudantes, tanto na visitação quanto nas apresentações do TAL, evidencia a escola pública como espaço de produção de conhecimento, cultura e pensamento crítico”, reforçando o papel da educação formal na formação integral dos indivíduos.

Incentivo à Leitura e Pertencimento

Além das atividades interativas e das apresentações artísticas, a Secretaria da Educação promove um significativo incentivo à leitura com a distribuição de vale-livros no valor de R$ 100 para estudantes e professores da rede pública. Essa iniciativa visa facilitar o acesso a novas obras, enriquecer o acervo pessoal e estimular o hábito da leitura, que é fundamental para o desenvolvimento intelectual e cultural. A medida reflete um investimento direto na formação de leitores e no fortalecimento da cadeia do livro.

Durante uma visita ao estande, o presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Rui Oliveira, elogiou a ação e a relevância da Bienal. “Parabenizo a realização da bienal e reforço a importância das visitas educativas, que ampliam o conhecimento, incentivam a leitura e fortalecem o sentimento de pertencimento dos estudantes”, afirmou Oliveira. Sua declaração sublinha o impacto positivo dessas experiências não apenas no aprendizado, mas também na conexão dos alunos com o universo cultural e educacional.

Na mesma ocasião, Rui Oliveira adquiriu o livro “Lilica: a menina que engoliu o choro”, da professora e escritora Jandaira Silva, que leciona no Colégio Estadual de Tempo Integral de Gandu. Este gesto simbólico reforça a valorização dos talentos literários locais e dos profissionais da educação, que muitas vezes também são produtores culturais. A compra do livro destaca a interconexão entre o incentivo à leitura, a valorização do professor-escritor e o fomento à produção literária dentro da própria rede estadual.

A combinação de tecnologia inovadora, como o totem de IA, com o incentivo direto à leitura e a promoção de talentos estudantis e docentes, demonstra uma abordagem multifacetada para a educação e a cultura na Bahia. As ações na Bienal do Livro 2026 visam não apenas atualizar as práticas pedagógicas, mas também construir um ambiente onde a criatividade, o pensamento crítico e a consciência social floresçam, preparando os jovens para os desafios e oportunidades do futuro.

Perguntas Frequentes

O que é o totem interativo “Crie a sua história em um minuto”?

É uma ferramenta instalada no estande do Governo da Bahia na Bienal do Livro 2026, que utiliza inteligência artificial para auxiliar estudantes na criação de narrativas de forma rápida e interativa, estimulando a criatividade.

Qual o objetivo do projeto Tempo de Arte Literária (TAL)?

O TAL é uma iniciativa da Secretaria da Educação da Bahia que visa reunir e valorizar as criações literárias e artísticas de estudantes da rede pública, com um foco especial em temas sociais e no desenvolvimento do pensamento crítico.

Como a Bienal do Livro da Bahia incentiva a leitura entre estudantes?

Além de promover a visitação e a interação com autores e obras, a SEC distribui vale-livros no valor de R$ 100 para estudantes e professores, buscando incentivar o acesso a novas leituras e fortalecer o hábito literário.


17 de abril de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: André Fofano/SEC|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Bruno Sampaio

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