A Bienal do Livro da Bahia, evento cultural de grande relevância, recebe a rede estadual de ensino com expressiva participação. Cerca de 36 estudantes e 19 professores expõem suas produções literárias, reforçando o protagonismo da educação pública baiana no evento que ocorreu entre 15 e 18 de novembro.
O estande do Governo do Estado abrigou o “Espaço Deixa Eu Falar”, dedicado a apresentações e exposições de obras autorais de alunos e docentes. A iniciativa da Secretaria da Educação do Estado (SEC) visa não apenas valorizar a produção intelectual da comunidade escolar, mas também consolidar a escola pública como um vibrante centro cultural. A representatividade é ampla, com alunos oriundos dos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs), garantindo que vozes de diversas regiões da Bahia sejam ouvidas.
Projetos Literários e Temas Sociais em Destaque
Um dos pilares dessa participação é o projeto Tempos de Arte Literária (TAL), que congrega trabalhos de estudantes de todas as identidades territoriais do estado. As produções abordam uma vasta gama de temas sociais e culturais, demonstrando a capacidade dos jovens autores de refletir sobre as complexidades do mundo contemporâneo. A Bienal se tornou um palco para essas manifestações, promovendo o diálogo e a conscientização.
Na programação, a estudante Thaline Silva Leandro, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, localizado em Feira de Santana, apresentou sua obra “Dor não contada, culpa mascarada”. O poema é uma profunda reflexão sobre a violência de gênero, um tema que, segundo a autora, busca sensibilizar a audiência. “A sensação de declamar é sempre incrível, e na Bienal, foi ainda mais especial”, afirmou Thaline. Ela enfatizou que sua poesia nasce da resistência contra a misoginia e o feminicídio, buscando dar voz a quem enfrentou o silenciamento.
Dando continuidade às atividades do TAL, o estudante Felipe Brás dos Santos, do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, trouxe uma obra que discute a história da população negra e os impactos duradouros da escravidão sob uma perspectiva crítica. A narrativa de Felipe é um protesto, como ele mesmo descreve: “Escrever sobre a trajetória do meu povo, que enfrentou tantas dificuldades, é uma experiência marcante. Minha obra é um protesto contra o racismo”. Sua participação ressalta a importância de revisitar e reinterpretar o passado para construir um futuro mais justo.
Outro momento de destaque foi a apresentação das estudantes Laila Nunes da Silva e Laina Torres, que expuseram a obra “Pátria amada”. O trabalho delas retrata o doloroso período da ditadura militar no Brasil, evidenciando o sofrimento das vítimas do regime. A obra reforça a necessidade imperativa de manter viva a memória desse capítulo da história brasileira, a fim de evitar que os erros do passado sejam repetidos, servindo como um alerta para as gerações futuras sobre a importância da democracia e dos direitos humanos.
A Voz dos Professores Escritores
A programação da Bienal também incluiu a participação de professores da rede estadual que atuam como escritores. Eles apresentaram obras desenvolvidas no contexto escolar, enriquecendo o intercâmbio entre educação e literatura. Esses educadores, muitas vezes, utilizam suas experiências em sala de aula como inspiração, transformando desafios cotidianos em narrativas significativas e acessíveis. A presença deles na Bienal amplia o debate sobre o papel do professor para além do ensino formal.
Entre os docentes que compartilharam suas criações está Jandaira Fernandes da Silva, do Colégio Estadual de Tempo Integral de Gandu. Ela apresentou o livro “Lilica: a princesa que engoliu o choro”, que aborda questões como racismo e bullying no ambiente escolar. Segundo Jandaira, a obra visa colocar esses temas cruciais no centro da conversa, oferecendo às crianças a oportunidade de se reconhecerem nas histórias e de aprenderem sobre resistência. A professora também ressaltou sua própria trajetória na educação pública, afirmando: “Fui aluna da rede pública e, hoje, leciono em uma escola estadual. Posso dizer aos meus alunos que, por meio da Educação, conseguimos romper barreiras”, inspirando seus estudantes.
Incentivo à Leitura e Democratização do Conhecimento
Para além das exposições e apresentações literárias, a Secretaria da Educação promoveu uma série de visitas de estudantes à Bienal. Cerca de dez mil alunos, provenientes de 250 escolas da rede estadual, tiveram a oportunidade de vivenciar o evento entre os dias 15 e 18 de novembro. Esta ação é fundamental para democratizar o acesso à cultura e estimular a formação de novos leitores, especialmente entre jovens que, de outra forma, talvez não tivessem essa oportunidade.
Como um incentivo adicional, a SEC distribuiu vales-livros no valor de R$ 100 para cada estudante participante das visitas. Essa medida visa encorajar a aquisição de obras e o contato direto com o universo editorial, reforçando o hábito da leitura. De acordo com a SEC, a iniciativa reafirma o compromisso do governo estadual com a democratização do conhecimento e o fortalecimento de uma educação pública de qualidade, capaz de formar cidadãos críticos e engajados culturalmente. A Bienal do Livro da Bahia, ao abrir suas portas para a produção da rede estadual, torna-se um espelho da riqueza intelectual e da diversidade cultural presente nas escolas baianas.
Perguntas Frequentes
Qual o objetivo da participação da rede estadual na Bienal do Livro da Bahia?
O principal objetivo é valorizar e dar visibilidade às produções literárias de estudantes e professores da rede estadual, reforçando o protagonismo da educação pública e consolidando a escola como um espaço cultural e de debate de temas sociais.
Quantos estudantes e professores participaram das apresentações?
Ao todo, 36 estudantes, representando os 27 Núcleos Territoriais de Educação, e 19 professores apresentaram suas obras e projetos literários no “Espaço Deixa Eu Falar” durante o evento.
Que tipo de incentivo à leitura foi oferecido aos estudantes que visitaram a Bienal?
A Secretaria da Educação promoveu a visita de aproximadamente dez mil estudantes de 250 escolas e distribuiu vales-livros de R$ 100 para cada aluno, incentivando a compra de obras e o fomento do hábito da leitura.
