Bahia

Três Poderes da Bahia se unem e marcam 2 de Julho em Cachoeira

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 26/06/2026 às 02:43
Douglas Amaral/Ascom SEC
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 26 de junho de 2026, às 02:43

Cachoeira, no Recôncavo Baiano, foi palco nesta quinta-feira (25) da tradicional transferência simbólica da capital da Bahia, um evento que anualmente marca o início das celebrações pela Independência do Brasil na Bahia. Pela primeira vez na história, o ato contou com a participação conjunta dos três poderes estaduais – Executivo, Legislativo e Judiciário – em uma demonstração inédita de união cívica. O evento, que tem seu ápice no dia 2 de julho, incluiu o desfile de sete fanfarras escolares, reforçando a importância da memória histórica.

A transferência da capital é um rito institucional consolidado pela Lei Estadual nº 10.695/2007, que se repete a cada ano desde 2008. Essa legislação reconhece o papel fundamental de Cachoeira na luta pela independência, valorizando a contribuição da cidade e de sua população para a consolidação da soberania brasileira. A cidade, que historicamente foi um bastião de resistência, transforma-se anualmente no centro político do estado.

O governador Jerônimo Rodrigues esteve presente na cerimônia, acompanhado do vice-governador Geraldo Júnior e da primeira-dama Tatiana Velloso. Em seu discurso, o chefe do Executivo baiano enfatizou a relevância da oferta de escolas de tempo integral na rede pública. Para ele, essa modalidade de ensino representa um caminho essencial para a autonomia e a independência dos jovens estudantes. Essa é a quarta vez que o governador participa do ato, reforçando o simbolismo da data.

O conceito de escola de tempo integral visa ampliar a jornada escolar, oferecendo aos alunos um currículo mais diversificado. Além das disciplinas tradicionais, são incluídas atividades culturais, esportivas e de aprofundamento em diversas áreas do conhecimento. O objetivo é promover um desenvolvimento integral dos estudantes, preparando-os não apenas academicamente, mas também para a cidadania e o mercado de trabalho.

Marcius Gomes, secretário da Educação em exercício, ressaltou a importância pedagógica da celebração. Ele afirmou que o 2 de Julho e todos os seus desdobramentos históricos são levados aos estudantes da Bahia como um instrumento de perpetuação da memória. A narrativa da Independência, que tem Cachoeira como um de seus epicentros, é valorizada nos livros didáticos e na interação com as unidades escolares. Trata-se de uma celebração da resistência e da luta do povo baiano.

Celebração Cívica com Fanfarras Estudantis

As ruas históricas de Cachoeira foram coloridas e animadas pelo desfile de sete fanfarras de escolas da rede estadual. A participação dos jovens estudantes é um dos pontos altos do evento, conectando as novas gerações com a história de seu estado. As bandas marciais, com suas apresentações vibrantes, simbolizam a vitalidade da cultura baiana e o engajamento cívico.

A estudante Júlia Barreto, de 16 anos, do 2º ano do Colégio Estadual de Tempo Integral de Maragogipe, desfilou pela primeira vez em Cachoeira com a Banda Marcial Pegasus. Ela expressou a alegria de mostrar a arte e a cultura de sua cidade em um município de tamanha importância histórica. A oportunidade de participar do evento é um incentivo para o aprendizado e a valorização das tradições.

Diversos colégios estaduais marcaram presença com suas fanfarras, entre eles:
– Colégio Estadual Rômulo Galvão (FANFACERG)
– Colégio Estadual de Cachoeira (BANCEC)
– Colégio Estadual de Conceição da Feira (FAMUCFC)
– Colégio Estadual João Batista Pereira Fraga (FANJ)
– Colégio Estadual Castro Alves (BAMAC)
– Colégio Estadual de Tempo Integral Teodoro Sampaio (FANTESA)

União Histórica dos Três Poderes em Cachoeira

O ponto de destaque deste ano foi a inédita transferência simbólica das sedes do Poder Judiciário e do Poder Legislativo para Cachoeira, unindo-se ao Executivo. A iniciativa consolida a relevância histórica do município para a Bahia e o Brasil. A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos, celebrou a integração. Ela destacou a união da Alba, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e do Governo do Estado. Esta conjunção de forças reverencia a potência do Recôncavo e a força de seu povo.

O presidente do TJBA, José Rotondano, enfatizou que essa ação cumpre a missão de aproximar a instituição dos cidadãos. A proposta de unir os três poderes partiu dele, visando homenagear a história e o legado de Cachoeira. Ele destacou que o Poder Executivo já realizava o ato, e a união com os outros poderes amplia o simbolismo e o alcance da celebração.

A Independência da Bahia, celebrada em 2 de Julho, é um marco fundamental para o Brasil. Enquanto o 7 de Setembro de 1822 marca a declaração da Independência, foi na Bahia que as lutas se estenderam por mais de um ano, resultando na expulsão definitiva das tropas portuguesas em 2 de julho de 1823. Cachoeira foi um dos primeiros locais a se rebelar contra a coroa portuguesa, tornando-se um símbolo da resistência e da bravura do povo baiano. A cidade foi crucial para a formação de um exército brasileiro e para a vitória final.

O Legado de Cachoeira na Independência do Brasil

A sessão solene, realizada no Anexo da Câmara de Vereadores, culminou com o descerrramento da placa de transferência dos três poderes. O evento foi encerrado com a execução do hino de Cachoeira, uma homenagem à cidade que desempenhou um papel ativo e determinante na expulsão das tropas portuguesas em 1823. A celebração reforça a identidade e a memória histórica da Bahia, que se confunde com a própria história da independência nacional.

Durante a cerimônia, diversas personalidades receberam o título de Cidadão Cachoeirano, em reconhecimento às suas contribuições e ao seu papel na sociedade baiana. Entre os homenageados estavam:
– A primeira-dama Tatiana Velloso
– O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro
– A presidente da Alba, Ivana Bastos
– O procurador-geral de Justiça, Pedro Maia
– O presidente do TJBA, José Rotondano

Além disso, a Câmara Municipal de Cachoeira concedeu a Comenda 25 de Junho a duas figuras importantes para a cultura e a história local. Dalva Damiana, conhecida como Dona Dalva, foi agraciada por sua incansável luta em favor do samba de roda, um patrimônio imaterial da humanidade. O professor e historiador Jacó dos Santos Souza, diretor do Arquivo Público de Cachoeira, também foi homenageado por sua dedicação à preservação da memória e do patrimônio cultural da cidade. Essas homenagens reforçam o compromisso da Bahia com a valorização de sua história e de seus personagens.

Perguntas Frequentes

O que é a transferência simbólica da capital da Bahia para Cachoeira?

A transferência simbólica da capital da Bahia para Cachoeira é um ato institucional anual que ocorre desde 2008, regulamentado pela Lei Estadual nº 10.695/2007. Ele marca o início das comemorações da Independência do Brasil na Bahia, reconhecendo o papel histórico crucial de Cachoeira nesse processo. Durante o evento, o município se torna, simbolicamente, a capital do estado por um dia.

Por que Cachoeira é importante para a Independência da Bahia?

Cachoeira teve um papel fundamental na luta pela Independência da Bahia. Foi um dos primeiros focos de resistência contra as tropas portuguesas após a declaração de 7 de Setembro de 1822, mobilizando a população e organizando um exército para lutar pela soberania do Brasil. A cidade foi crucial na expulsão definitiva das forças coloniais em 2 de Julho de 1823, tornando-se um símbolo de bravura e patriotismo.

O que significa a união dos três poderes estaduais no evento?

A união dos três poderes estaduais (Executivo, Legislativo e Judiciário) na transferência simbólica da capital para Cachoeira, que ocorreu pela primeira vez este ano, é um ato de grande simbolismo. Ela representa a harmonia e a integração entre as esferas de governo em reverência à história e à importância de Cachoeira. A iniciativa visa aproximar as instituições dos cidadãos e reforçar o reconhecimento do legado da cidade.


26 de junho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Douglas Amaral/Ascom SEC|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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